terça-feira, 6 de setembro de 2011

Livros apócrifos (2)

Quando e como foram aprovados os apócrifos?
 
Os protestantes negam o status canônico desses livros com base em evidências externas e internas. Jamais foram reconhecidos como parte das Escrituras pelos judeus, nem por Jesus, nem pela comunidade apostólica, nem por nenhum dos pais da igreja, que examinaram as evidências com objetividade.

Os apócrifos foram aprovados pela Igreja Romana em 18 de abril de 1546. Foi uma forma de combater a Reforma Protestante, fez parte da Contra-Reforma. Nesse período, os protestantes combatiam as novas doutrinas romanistas: do purgatório, da oração pelos mortos, da salvação por meio das obras, etc. A Igreja Romana via, nesses livros, bases para essas doutrinas, então, aprovou-os como canônicos, declarando:

O sínodo [...] recebe e venera [...] todos os livros, tanto do Antigo Testamento como do novo [incluindo-se os apócrifos] — entendendo que um único Deus é o Autor de ambos os testamentos [...] como se houvessem sido ditados pela boca do próprio Cristo, ou pelo Espírito Santo [...] se alguém não receber tais livros como sagrados e canônicos, em todas as suas partes, de forma em que têm sido usados e lidos na Igreja Católica [...] seja anátema. (Philip SCHAFF, org., The creads os Christendom, 6a, ed. rev., New York, Harper, 1919/ p. 81, v.2, citado em Introdução Bíblica - Como a Bíblia chegou até nós, de Norman Geisler e William Nix).

A decisão católica não foi unânime. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no clero. Debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos.O cardeal Pallavicini conta, em sua obra "História Eclesiástica", que, em pleno concílio, dos 49 bispos presentes, 40 chegaram a travar uma luta corporal, com puxões de barbas e batinas. "Foi nesse ambiente 'espiritual' que os apócrifos foram aprovados!" A primeira edição da Bíblia católico-romana deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.

Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e o Novo Testamento, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor histórico e literário. A versão inglesa King James (Versão do Rei Tiago), de 1611. Foi assim até 1929. Após 1929, os evangélicos omitiram de vez nas Bíblias editadas, para não haver confusão entre o povo simples que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.

Tornar os livros apócrifos canônicos foi uma intromissão da Igreja Romana em assuntos judaicos, já que, quanto ao cânon do Antigo Testamento, o direito pertence aos judeus, não a outros. Além disso, o cânon do Antigo Testamento estava completo e fixado há  muitos séculos.

Por que não são canônicos?

O Unger's Bible Dictionary (Dicionário Bíblico de Unger) apresenta as seguintes razões para a exclusão:

1. "Estão repletos de discrepâncias e anacronismos históricos e geográficos".
2. "Ensinam doutrinas falsas que incentivam práticas divergentes das ensinadas pelas Escrituras inspiradas".
3. "Apelam para estilos literários e apresentam uma artificialidade no trato do assunto, com um estilo que destoa do das Escrituras inspiradas".
4. "Faltam-lhes os elementos distintivos que conferem caráter divino às autênticas Escrituras, como, por exemplo, a autoridade profética e o sentimento poético e religioso".

Continua...

Marco Antonio da Silva Filho

Veja a primeira parte: Livros apócrifos (1)

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